Há carreiras que nascem com um plano muito claro e depois há momentos em que esse plano deixa simplesmente de fazer sentido.
No episódio #43 do podcast De Candidat@ a Contrato, conversámos com o Raúl Costa, que começou por sonhar com uma carreira na Força Aérea, passou pela engenharia, pela PT Inovação, pelo universo das startups e scale-ups, e hoje está a ajudar a construir o hub tecnológico da UJET em Portugal. A conversa parte de uma ideia simples: crescer profissionalmente também é saber mudar de direção.
Nem sempre insistir é o caminho certo
O Raúl cresceu com a ideia de ser piloto na Força Aérea. Tentou, insistiu, entrou na Academia Militar. Mas quando chegou ao ponto em que o objetivo parecia finalmente possível, percebeu que afinal não era por ali que queria seguir.
A decisão foi difícil. Não era apenas mudar de curso ou de plano. Era assumir, perante a família e perante si próprio, que aquele sonho já não fazia sentido.
Mais tarde, essa capacidade de mudar de direção voltaria a aparecer na carreira e esta história mostra-nos como crescer profissionalmente também implica reconhecer quando um caminho deixou de estar alinhado connosco.
Trabalhar muito não chega
Um dos pontos mais fortes da conversa é esta ideia: trabalhar muito, por si só, não chega. Nas suas palavras: “Não basta fazer o trabalho, tens de conseguir ser visto.”
Para o Raúl, é preciso perceber se o esforço está alinhado com as prioridades da empresa. É preciso comunicar, criar relações, ajudar os outros a crescer e tornar visível o impacto do trabalho.
Isto não significa “jogar o jogo” de forma cínica. Significa perceber que as organizações são feitas de pessoas, decisões, contexto e influência e que esperar que alguém repare magicamente no nosso esforço pode ser um erro.
Construir uma equipa do zero exige mais do que contratar
Na UJET, o desafio passou por ajudar a criar uma presença em Portugal praticamente a partir do zero.
Em poucos meses, a equipa cresceu de uma pessoa para cerca de 60, mas abrir um hub tecnológico não é só contratar talento. É encontrar um escritório, abrir uma conta bancária, criar uma rede local, ganhar credibilidade, comunicar a visão da empresa e convencer as pessoas a juntarem-se a algo que ainda está a ganhar forma.
O Raúl fala muito sobre confiança, transparência e consistência especialmente importantes num contexto distribuído, onde as equipas trabalham em geografias diferentes. Aqui não basta fazer bem o trabalho: é preciso comunicar, dar visibilidade ao que está a acontecer e garantir que todos sabem para onde estão a ir.
Liderar é preparar pessoas para crescer
A conversa toca ainda num lado mais vulnerável da liderança. O Raúl fala de uma situação em que uma pessoa da sua equipa quis sair e em que, num primeiro momento, sentiu aquilo quase como uma traição. Mais tarde percebeu que essa pessoa precisava de outro desafio e que ele não tinha percebido isso a tempo.
Também fala de uma fase profissional em que o trabalho lhe estava a fazer mal. Tinha um compromisso com a equipa e sentiu que não podia sair antes de o cumprir. Procurou ajuda psicológica, apoiou-se na família e criou um plano para conseguir fechar essa etapa.
É um ponto importante: liderar não é ser imune à pressão. É saber reconhecer limites, pedir ajuda e tomar decisões difíceis sem fingir que está tudo bem.
Conclusão
A história de Raúl Costa mostra que mudar de plano não é falhar. Muitas vezes, é sinal de maturidade. Entre decisões difíceis, liderança e crescimento, fica uma ideia importante: uma carreira com sentido não é necessariamente a mais linear. É aquela em que conseguimos continuar a aprender, ajustar o caminho e fazer escolhas alinhadas com quem somos.
🎙 SOBRE O PODCAST
De Candidat@ a Contrato é um podcast onde partilhamos dicas e experiências sobre como navegar o mercado de trabalho português. Se estás a gostar de ouvir o podcast, deixa-nos uma avaliação ⭐!️
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